Orar, perguntar, responder e agir a contento.

Quanto tempo faz que você não vê uma cara nova na sua igreja? Quando alguém visita a sua igreja ela volta novamente? Se ela volta novamente ela está disposta a permanecer? Se ela resolve ficar, fica por quanto tempo? Dos membros que estão atualmente em sua igreja quantos estão por mais de 90% do tempo de sua existência? É comum ver estes membros mais antigos indo embora paulatinamente? Ai, na sua igreja, é comum nos cultos de domingo uma sensação de igreja vazia? Quanto aos que saem, sua igreja faz uma visita a estas pessoas que saíram da sua igreja para saber a razão de seu desligamento?
Muitas perguntas. E não são as respostas que moverão a igreja para frente. Incrivelmente o que pode mover a igreja para frente são exatamente perguntas como esta. É na tentativa de responde-las que surgirão novas perguntas que darão origem a novos questionamentos. E de pergunta em pergunta o povo vai experimentando novas respostas. Como anda as lideranças departamentais no aspecto espiritual? E como anda no aspecto técnico? Uma liderança não deve ficar como um bando de monges tibetanos apenas orando, se esquecendo que o mundo de hoje, tal como  o mundo antigo, duas coisas são fundamentais, a saber: oração, muita oração mesmo, inclusive a recomendação bíblica é orai sem cessar. 1 Tessalonicenses 5:17. Isso significa não dar moleza no que diz respeito a oração, todavia, ficar esperando as coisas simplesmente acontecerem é um erro primário. Técnicamente as lideranças devem estar prontas para lidarem com as novas tecnologias, métodos e coisas afins, para extraírem delas o melhor no sentido de orientar, exortar e ensinar. Quem sabe faz a hora não espera acontecer. Quantos departamentos funcionam efetivamente na retirada de pessoas do mundo para traze-las a Cristo, com projetos que valorizem o ser humano, mostrando a elas uma nova concepção de mundo, especialmente o mundo cristão. Nestes departamentos quantos estão realmente dispostos a largarem parte de suas vidas para se dedicarem a causa deste Senhor Soberano?
Bom, é melhor parar com as perguntas, são muitas, são tantas que nem poderão ser formuladas aqui, mesmo porque cada igreja tem uma necessidade especifica, e não há espaço para isso aqui. Mas levantar estes questionamentos ai na sua igreja pode ajudar a entender se ela avançou, parou ou retrocedeu ao longo de sua existência, tanto no aspecto quantitativo como no qualitativo. Um turnover elevado dentro de uma igreja pode indicar um sintoma de que ela não está pronta para crescer. Aliás, um turnover, dependendo da forma que ele acontece, pode causar uma falsa impressão de que a igreja está crescendo. Sua liderança pode achar que está no caminho certo porque há movimento na igreja. Alta rotatividade de pessoas não é bom. Bom mesmo são pessoas que visitam e ficam na congregação por motivos nobres. Quando as pessoas encontram um lugar onde são amadas, entendidas, elas ficam.
Antigamente eu achava que as paredes de uma igreja limitavam o seu crescimento. Isto é, uma igreja só crescia em número conforme sua capacidade de lotação. Graças a Deus a igreja primitiva não pensava assim. Naquele tempo o cenáculo não foi estorvo para o crescimento da igreja, cento e vinte viraram centenas de milhares. Também tenho visto que algumas igrejas que são pequenas fazem mais de um culto por dia, especialmente no domingo, para atenderem ao grande número de membros que ali congregam. O tamanho do templo não pode ser desculpa para falta de crescimento quantitativo. Templos não são problema. o problema é a mentalidade, quanto menor a mentalilidade, menor o crescimento da igreja local. Se uma igreja pequena tem problemas com falta de observância bíblica, seu crescimento quantitativo apontará para um crescimento do problema da qualidade de vida cristã, pois o número de cristãos imaturos aumentará. Uma igreja precisa resolver problemas com pecados graves, falta de disciplina, liderança inoperante entre outros se quiser crescer com qualidade. Se o crescimento da igreja se der num cenário onde a igreja tem a porta larga, aceitando o pecado, não agindo com o devido rigor bíblico, não julgando segundo a reta justiça de Deus o problema vai aumentar de tamanho. É mais fácil novos convertidos aceitarem e gostarem de crentes "Raimundo" do que de crentes que não dão brecha para o pecado. É por isso que crente "Raimundo" não deve subsistir no meio da igreja, deve ser tratado, orientado, e faze-lo entender que pecado tem cura, e não combina com o estilo de vida cristã.
Poderíamos passar o dia inteiro fazendo perguntas. Mas, isso também não ajudaria em nada. O que temos que fazer como crentes no Senhor é responder as questões na medida em que elas surgem. Quanto mais vamos respondendo a contento cada questão mais próximos de uma igreja melhor vamos chegar. Uma igreja melhor não é aquela que faz a vontade do crente, é a que faz a vontade de Deus. Certamente os problemas da igreja nunca vão acabar e os questionamentos nunca terão fim. Mas, o problema mesmo, é quando não temos respostas para uma igreja doente sarar de suas enfermidades e recaídas recorrentes. E dependendo da recorrência dos problemas dentro da igreja sua liderança precisará cada vez mais trocar o gabinete pastoral por uma brigada de incêndio, simplesmente por esquecer de perguntar, por quê?
Rogério Loureiro

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