José - Um caráter indiscutivelmente nobre.

A história de José é simplesmente empolgante. Ocupa mais de dez capítulos do livro de Gênesis. A dificuldade para o comentarista é selecionar os textos, porque cada um é mais belo do que o outro, somente a biografia desse patriarca daria, pelo menos, uma série de quatro lições de EBD. José é o undécimo filho de Jacó, o primeiro de Raquel, secundado por Benjamim, de cujo parto morreu Raquel. A partir dos 17 anos, José traça uma trajetória de vida que vai desde a de prisioneiro de seus irmãos em uma cisterna no campo até o vice-reinado no Egito. Dotado de um caráter, indiscutivelmente nobre, morreu aos 110 anos, após uma vida brilhante de testemunho, de fé e de confirmação de que Deus tem um plano para nossas vidas. À luz dessa verdade, analisemos a vida de José, sob quatro aspectos:
Deus tem propósitos e objetivos

Para suprir uma época de fome, de sete anos, o Egito haveria de ser o celeiro para a vasta região do Oriente Médio. O instrumento divino dessa administração seria o hebreu José, para preservar a sua própria "nação" de setenta membros, embrionária do povo de Israel. (Gn 46.27). (O Senhor detém o controle da História). O que na verdade realça a nossa vida não é o que granjeamos para nós mesmos, mas sim o que conseguimos fazer em favor de outros. José estava convencido de que seus irmãos foram até instrumentos divinos, desenvolvendo, inconscientemente, uma importante etapa no plano traçado por Deus, ao venderem-no aos mercadores que o levaram ao Egito.
A perseguição da Igreja em Jerusalém, deflagrada com a morte de Estevão, foi o rastilho da expansão missionária no mundo gentílico do primeiro século. A expulsão dos judeus de Roma, por ordem de Cláudio, fez de Priscila e Áquila o casal missionário para o mais forte apoio a Paulo. A falta de espaço na Europa para os judeus durante a Segunda Guerra, seguida de grande morticínio, deu impulso à criação do Estado de Israel, em maio de 1948.
O caminho para o topo passa pelo vale
Dificilmente um estrategista político recomendaria a algum pré-candidato percorrer o caminho que José trilhou para chegar ao cargo de governador! No Reino de Deus, os valores têm pesos diferentes dos deste mundo e os processos empregados pelo Senhor para elevar e honrar seus filhos, são enigmas indecifráveis ao homem natural. José aceitou o "programa" de treinamento que o Senhor planejou, e isto sem murmuração nem revolta. Aquele que se humilha, Deus exalta. Vendido por seus irmãos aos ismaelitas, e por estes a Potifar, José foi assistido, maravilhosamente, por Deus e se comportou como exemplo a todos nós, tanto em casa do oficial, como posteriormente, na prisão. Vejamos alguns destaques:
Conquistou confiança na casa do egípcio (39.6).
Tinha o melhor desempenho em tudo o que fazia (39.3).
Era fiel e disso deu testemunho, recusando-se a pecar (39.9).
Professou sua fé (39.9b).
Ganhou a confiança do carcereiro (39.23).
Mostrou-se solidário com os companheiros de prisão (40.6,7).
Era disciplinado (41.14).
Exaltou o seu Senhor (40.8; 41.16).
Deus está conosco nas provas. No capítulo 39, há quatro referências de que o Senhor era com José em todas aquelas situações adversas.
Acasos não, previsão sim

Nós nos pouparíamos de muitos momentos de tristeza e de abatimento, se lembrássemos que não somos pessoas avulsas, à revelia do que der e vier. Como crentes no Senhor Jesus Cristo temos sobre nós, no comando de tudo, o Deus de José. Possivelmente essa visão foi aos poucos se tornando mais nítida para José. Aos 32 anos de idade, já compreendia que Deus o havia enviado ao Egito antes de seus irmãos, num plano objetivo de preservação da vida e cumprimento de seu propósito. (Ver Gn 15.13). Com sua declaração, Gn 45,7-8, José num gesto de profunda nobreza, alivia o sentimento de culpa de seus irmãos. Toda a nitidez da presença e da ação de Deus em nossas vidas, dentro de seu plano, é progressiva. Não desanimemos. Amanhã compreenderemos melhor do que hoje.

O preço para sermos uma benção

José foi uma bênção para seu pai o patriarca Jacó e para com os seus onze irmãos. Mas houve preço a pagar. Seguro de que o Senhor estava na direção de tudo, teve para com seus irmãos a atitude mais conciliatória possível. Deixou-se quebrantar por Deus. Perdoou, com lágrimas e sem falar. Conferir Gn 50.17. Aliás, o relato de toda sua atitude conciliatória, inclui pelo menos, cinco referências e choro de José. Os fortes também choram. José não era fraco, era crente, amoroso e perdoador. Em troca do mal que lhe intentaram fazer, retribuiu a seus irmãos conforme está escrito: "Não temais, pois; eu vos sustentarei a vós outros, e a vossos filhos. Assim os consolou e lhes falou ao coração. " (Gn 50.21). Eis a resposta, desde a cisterna em Dotã. Lágrimas, quebrantamento, perdão e reconciliação, é preço que o Cristianismo reclama, hoje.
Rogério Loureiro - Arauto de Sião

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