Jacó - "O Senhor será o meu Deus"


Pintura - A Partida de Jacó (1884)
O patriarca Jacó - SUPLANTADOR, filho gêmeo de Isaque, é o nosso "biografado" de hoje. O material encontrado em Gênesis sobre a sua vida é farto: "quase um quarto do volume do livro de Gênesis”... "dedicado à biografia de Jacó, o pai do povo escolhido." (Até os 40 anos foi pacato e recolhido à tenda de seus pais, sendo bastante achegado à sua mãe, como "predileto"). (Gn 25.27-28). Incidentes familiares em nada amistosos fizeram-no mudar-se para o Oriente, terra de seus antepassados, para Harã. O motivo aparente era evitar que se repetisse o casamento misto de Esaú, mas na realidade, havia um rompimento muito sério com seu irmão, pela primogenitura "adquirida" por Jacó por um prato de comida e mais tarde, por ter enganado seu pai, por ocasião da bênção que seria de Esaú. E isso, com o conselho e a participação de Rebeca. (Gn 25.27­-34; 27.14-23 e ss).). Morreu aos 147 anos. (Gn 47.28).
O homem apenas com o seu cajado (Gn 32.10)
A referência é a de um pequeno trecho da oração de gratidão, aliás, tocante oração de Jacó: "Com apenas o meu cajado atravessei este Jordão” ... Embora parecendo uma avaliação de ordem material que fazia Jacó, é possível que ilustre uma certa pobreza ainda na experiência espiritual não amadurecida, do então jovem retirante. A bem da verdade, contudo, não se pode esquecer a sua experiência marcante, nas proximidades da cidade de Luz que depois ele denominou Betel. Foi a sua primeira noite fora do lar e do relativo conforto que sua mãe lhe oferecia. O relento foi compensado pelo sonho que teve e a visão do Senhor que lhe falou. Três coisas importantes aconteceram naquela noite:
O Senhor, em visão, confirmou a promessa feita a Abraão, seu avô, que vai desde a posse daquela terra, até a bênção a todas as famílias da terra toda. (v 13).
A presença e a companhia do Senhor asseguradas. A onipresença de Deus passa à experiência de fé do jovem Jacó. Ele, supostamente entendia Deus como localizado em Berseba, como os deuses das terras e nações vizinhas. (Ver Josué 24,15) - " O Senhor está neste lugar; e eu não sabia. " (v 16) .
Confirmando sua experiência, Jacó ao acordar-se, transforma seu travesseiro em marco de lugar de culto. Adora ao Senhor e faz-lhe um voto triplo que incluía:
- PROFISSÃO DE FÉ: - "O Senhor será o meu Deus".
- CULTO: - "a pedra que erigi será a casa de Deus A casa de Deus lembra serviço divino culto.
- PROVA DE GRATIDÃO: - "e de tudo quanto me concederes certamente eu te darei dizimo. "
Quando acriança cresce na atmosfera da fé, no lar paterno, mesmo que mais tarde ocorram "retiradas" e/ou nas cri­ses da vida, há grandes possibilidades e esperança de reafirmação do que se gravou na infância. Para Jacó naquela noite ao relento, o Deus de seus pais não lhe era estranho. A adoração ao Senhor, simbolizada pelo azeite entornado sobre a coluna de pedra lhe era prática de tradição paterna. E o dízimo? De quem poderia ter Jacó aprendido? Está implícito que era fruto da transmissão oral que vinha desde Abraão.

Sob a fidelidade do Senhor (Gn 28.15)
Este é o ponto culminante na auto-revelação do Senhor Deus a Jacó. Além de assegurar sua companhia ao jovem herdeiro da promessa feita a Abraão e Isaque, Deus lhe garante o retorno à sua terra natal e, o mais rico ainda, lhe oferece a sua determinação de nunca deixá-lo: “porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo de que te hei referido " (Gn 28.15 b). Estas palavras merecem estar na decoração de nossas casas, nos umbrais de nossas portas e à nossa cabeceira. São das grandes palavras da Bíblia. Estas constituem algo como que linha de conduta de um Salvador determinado, de um Pastor incomparável, de um Deus fiel. Vale aqui a palavra de Paulo: "se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.” (11 Tm 2.13). Jacó não foi um campeão. Quantas vezes falhou! Seu comportamento bem que ilustra a instabilidade que se evidencia em nós. Quantas vezes também somos achados em falta! Na nossa carreira cristã ninguém de nós subirá ao pódio. Nada há pelo que devamos nos orgulhar. A razão total de nossa vitória está do lado da longanimidade e das misericórdias do Senhor Jesus Cristo. A Ele glória eternamente. Amém.
Prosperidade – Peniel  (Gn 30.43;32.26-30)
Jacó luta com anjo
Nos 20 anos que Jacó passou em Harã, sua economia cresceu apesar da alegada política "trabalhista" injusta aplicada por Labão, seu sogro e patrão. (Gn 31.6-7). Mesmo sua amada Raquel = OVELHA, lhe custou muito: 14 anos de trabalho. (Gn 29.18-20,30). Num expediente controvertido, a pecuária de Jacó se desenvolveu muito e ele enriqueceu junto a Labão. (Gn 30.41­43). Mas isso não era tudo. Prosperidade não é atestado de riqueza espiritual. Vivemos hoje uma época de certos conceitos duvidosos. A Teologia da Prosperidade tem feito muitos adeptos. Jacó não era membro dela. Ele, apesar de sua riqueza, sentia um vazio muito grande antes daquela noite no ribeiro Jaboque. Foi uma noite de vigílias, mas sozinho. Vigílias em grupo já não são fáceis. Imaginemos sozinho! Daquela ocasião memorável, pelo menos três coisas aprendemos:
Bênçãos materiais não são suficientes. Jacó as possuía, mas lutava por outras: "não te deixarei, se me não abençoares.” v 26. De "suplantados", viajando na "carona" de seu irmão Esaú, ao nascer e, prosperando calcado nas riquezas de Labão, agora é "Príncipe" declarado por Deus. v 28.
Quando Deus nos abençoa, nós mudamos. A mudança começou pelo nome. Mas a oração traz consigo uma ação reflexa. Enquanto oramos, Deus muda também outras pessoas em relação a nós. Mudou o coração de Esaú. (Ver Gn 27.41,33.4).
Quando perseveramos, mesmo nas longas noites de nossos "jaboques" o sol nos nasce outra vez, o sol da graça do Senhor. É o nosso Peniel. (Gn 32.30­31).
Arauto de Sião - Pedro Mendes

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