Quando os laços de família viram um laço para o indivíduo.

Ninguém pediu para nascer e, ainda mais, ninguém pode escolher a família que quer ter. É um pensamento comum, partilhado por muita gente. As famílias segundo algumas pessoas são todas iguais mudando apenas o endereço. E parece ser mesmo assim. Tanto as famílias bem estruturadas quanto as menos estruturadas criam laços entre seus entes que vão desde a total afetividade até brigas e contendas constantes motivadas por circunstâncias variadas.
Conheci algumas famílias na minha vida em que os filhos faziam o que queriam dentro de casa. Em um dos casos os pais não tinham voz, uma vez que, seus filhos eram muito grandes e fortes, o que os intimidavam . Bebidas e garotas entravam e saiam de casa como se fosse algo muito natural. Aos 17 anos, desempregado, um dos filhos já era pai de duas crianças. Um outro viciado em drogas só vivia internado em clínicas de recuperação de dependentes químicos. Mas, apesar de tudo a mãe amava aqueles filhos incondicionalmente.
Numa outra situação o pai e a mãe eram bem controlados com os filhos. Enquanto eles eram crianças a  mãe os defendia até quando estavam errados. Não foram poucas as vezes em que os professores ligavam para casa reclamando do mau comportamento de seus filhos, mas reclamavam em vão, todos estavam errados. Não importava, o que estivesse acontecendo, seus filhos sempre estavam certos. Eram muitos filhos. O pai era permissivo deixava as coisas rolarem soltas. Não conseguia impor sua autoridade. Nunca foi exigido deles que estudassem e por esta razão não levavam muito a sério a escola. A noite, ao invés de saírem de casa para a escola, iam para o "barzinho". Descolavam garotas envolvendo-as em seus delírios regando tudo com muito álcool. A receita certa para logo se tornaram pais e mães irresponsáveis. Hoje os  filhos são cuidados pelos avós.
Em uma outra situação o filho era exemplar. Não dava trabalho. Era extremamente mimado e tinha tudo o que queria não sabia dar valor ao custo das coisas na vida. Sem saber o quanto custa viver gastava sem  dó com o consentimento dos pais, é claro. Depois de adulto ficou insuportável. Duro e incisivo em suas afirmações e incrivelmente intolerante. Era difícil conversar com ele. Se tornou uma pessoa de poucos amigos.
São três famílias diferentes. E certamente teríamos mais exemplos de outras famílias para falar e não caberia aqui neste espaço tantos exemplos. Mas após conviver com estas pessoas pude perceber que apesar de terem vidas diferentes e famílias diferentes e também origens diferentes tinham uma coisa em comum. Os filhos destas famílias não conseguiam se desligar de seus pais. Sempre estavam morando dentro da casa de seus pais com suas namoradas grávidas, sem emprego e em plena depedencia financeira. As vezes saíam para morar com suas amasiadas, e quando quebravam a cara retornavam para os pais sem dar nenhuma explicação. Em alguns casos retornavam com outra garota descartando a que ficara grávida mandando-a para os seus pais. Em alguns casos são homens e mulheres com mais de trinta e cinco anos de idade. E parece que não estão preparados para viver sozinhos. Vivem a vida como se hoje fosse o último dia. Os laços familiares são tão fortes e o vínculo tão intenso que não podem se separar. Estes laços familiares acabaram se tornando um laço para cada um deles. A maneira como foram criados os estimularam a viver de forma totalmente dependente. Por não terem estudado o suficiente vivem lançados a própria sorte. Dependendo de empregos informais se sujeitando a condições subumanas em busca de alguns trocados. A medida em que estas coisas vão avançando as famílias vão se desestruturando cada vez mais. Uma solução para o problema fica cada vez mais difícil. E seria, neste momento, complicado qualquer um de nós tentar encontrar tal solução. Acho que estas coisas acontecem para observarmos e aprender a cuidar melhor de nossa famílias, principalmente no tocante aos filhos, que precisam ser criados no temor do Senhor.

Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. O prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando. Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo. O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre.
Rogério Loureiro

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