Os crentes e os seus deuses. Possessões

Homem subindo pelas riquezas
Certa vez eu li um livro maravilhoso que traz em suas páginas  o que há de mais belo na arte de escrever. O livro se chama "O Fator Melquisedeque", indicação do amigo e irmão em Cristo Jonathan que luta em prol do Senhor Jesus em Israel. Num dado momento da leitura me deparei com a seguinte frase: "Ainda existe um deus que precisa ser apaziguado". Esta frase saiu da boca de um dos sacerdotes de Atenas na Grécia. Um grande  mal havia repousado sobre a cidade e mesmo depois de muitos sacrificios o mal persistia. Acreditava-se que algum deus ainda não tinha recebido o seu sacrifício.
Os não convertidos carregam dentro de si muitos deuses. Alguns bons e outros maus. Quando ele se converte estes deuses podem ou não sair do individuo hospedeiro, isto é, pode continuar sendo presença na vida do novo irmão. Já falamos aqui neste blog sobre um destes deuses que é o hedonismo. E cada vez mais crentes estão se entregando a este deus cruel que se disfarça muito bem cativando os corações e os levando a uma falsa impressão de que podem ser felizes a qualquer preço. Vale lembrar que o evangelho não pode ser negociado. O hedonismo é um mal que precisa ser estirpado do meio evangélico.
Mas no meio deste panteão de deuses que fazem morada dentro do ser humano existem muitos outros que precisam ser apaziguados, quero dizer, eliminados. Dentre eles o deus das possessões. Ter é a palavra do momento. E não é necessário ser rico para adorar o deus das possessões. Não importa mais o que somos o que importa é o que temos. Existe até quem meça a prosperidade de uma pessoa pelas suas riquezas. É comum assistirmos na TV igrejas que pregam, não a cidadania do reino de Deus mas, como desfrutar de uma vida imediatista e carnal onde ter se torna o prazer absoluto.  Esta é uma combinação que pode ser danosa para o crente, ter e prazer. Estes deuses não podem ser apaziguados nunca. O deus do ter e o deus do prazer são insaciáveis e jamais serão apaziguados. É certo que em muitos casos ele não é nem apaziguado e nem extinto de dentro do ser humano. Mas adormece esperando um momento oportuno para acordar e se alimentar, e quando ele acorda sua forma é a de um parasita, cuja função é esgotar o ser humano. O ideal é que estes deuses sejam extintos. Você pode estar pensando o seguinte: O crente não pode ter nada? O crente não pode sentir prazer? A resposta é: Claro que pode. O que ele não pode é fazer de suas posses o seu Senhor. Equivocadamente temos chegado a pensar que o fim principal do homem é glorificar a Deus e acumular o máximo de coisas possíveis. Nossas coisas, nossos bens, e tudo o mais inclusive o dinheiro devem assumir em nossa vida a posição de servos, devem estar a nosso serviço e a serviço do Reino, e nunca a posição de senhores. Nunca deveríamos cultuá-los. Devemos entender que as riquezas são apenas ferramentas que foram criadas para facilitar a nossa vida e somente isto. Em Salmos está escrito o seguinte:...os sábios morrem, perecem igualmente o louco e o bruto, e deixam a outros os seus bens. Sl 49:10.
Volto a afirmar que não são todos os crentes que são dominados pelo deus das possessões. Todavia há uma onda crescente desta fé "próspera" promovida por algumas igrejas. É sabido que muitos cristãos começaram sua jornada em Cristo com sincera devoção a Deus. Mas, em algum momento de sua adoração começaram a se curvar para este deus falso debruçando-se também em seu altar. A grande verdade revelada pelo evangelho é que  onde está a nossa riqueza é ali que se fixa o nosso coração. (Mt 6:21). Não são as riquezas desta vida que farão o homem deixar de sentir dor.(Pv 10:22). A dor parte da tentativa de fugir dela. Para não termos dores maiores é que sentimos a dor de levantar numa manhã chuvosa de madrugada para trabalhar. Mas não fazemos este sacrifício quando o assunto é igreja. E quando temos que sacrificar alguma coisa sempre quem perde é Deus.
Quanto as possessões devemos sempre atentar para o exemplo de Barnabé. Então José, cognominado pelos apóstolos, Barnabé (que, traduzido, é Filho da consolação), levita, natural de Chipre, possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos. (At 4:36, 37). Oremos a Deus para que o deus das possessões não reine em nossas vidas e que estejamos sempre dispostos a buscar sempre em primeiro lugar o Reino de Deus. (Mt 6:33). E que nós nunca tenhamos a pretensão de tentar apaziguar estes deuses. Eles são insaciáveis.

Rogério Loureiro.

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