Pentecostalismo e a semântica

Algum tempo depois da ascenção de Jesus ao céu, Lucas, o médico amado, relatou o seguinte: Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E lhes apareceram umas línguas como que de fogo, que se distribuíam, e sobre cada um deles pousou uma. E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.

Foi uma coisa sem precedentes o que aconteceu no início do livro de Atos. Imediatamente a isso o apóstolo Pedro tomando a palavra, num discurso belíssimo, dirigido pelo poder do Espírito Santo esclareceu para os que ali estavam que eles presenciavam nada mais do que aquilo que fora dito pelo profeta Joel (Joel 2:28). O desfecho do discurso de Pedro foi magnífico, culminando na conversão de quase três mil almas, segundo o relato de Lucas (Atos 2:41).

O tempo foi passando, ou melhor o séculos, e este mover do Espírito relatado em Atos foi ficando meio desbotado dentro da igreja, para não dizer apagado, em meio a relíquias e indulgências papais que pretensiosamente tentavam livrar as pobres almas incautas do inferno. Do século IV até o século XV só havia coisa podre e mau cheirosa no meio da igreja. Foi um período de total ignorância cristã, tanto para o alto clero, quanto para o povo que tinha o direito de ler as escritutas vedado. Só a partir de, aproximadamente, 1500 é que a igreja, através dos reformadores, começou a dar sinais de vida novamente. Com a reforma as pessoas passaram a ter um contato maior com as escrituras. Agora praticamente todos, até os leigos, tinham acesso as sagradas letras no seu idioma, isso foi uma benção!

Em abril de 1906, muito tempo depois da reforma, um acontecimento marcou novamente a história da igreja. O reavivamento da Rua Azusa. Uma reunião de crentes que, presidida por William Joseph Seymour, buscavam o batismo no Espírito Santo. Mais ou menos como em Atos dos Apóstolos. 

Quando receberam o batismo no Espírito Santo começaram a falar em línguas. Logo falar em línguas tornou-se o sinal obrigatório e visível que indicava quem era batizado ou, até mesmo, salvo. E um novo nome também foi atribuído a esse falar em línguas ,"falar línguas estranhas", estranho, não? Não demorou para este movimento ganhar nome, "movimento pentecostal", fazendo referência a descida do Espirito Santo relatada em Atos 2. Será que o que aconteceu em 1906 tem alguma semelhança com os eventos de Atos 2? É provável que sim. Pelo menos teoricamente. A partir daí o pentecostalismo ganhou o mundo. Embalado por uma onda de cultos dramáticos, gritos, aplausos e o falar em, acreditem, "línguas estranhas". E o mais interessante é que gente que estava aprisionada no calabouço da igorância agora arranja seguidores em nome de Deus para dar sequência a estes cultos. É interessante notar que saiu muita coisa boa no início do movimento pentecostal.  Mas, e agora o que temos? O que sobrou? O problema não é o que aconteceu em 1906 e nem tampouco o movimento em si. É o que está acontecendo em 2010 no meio da igreja, aqui, e agora. É o que as pessoas estão fazendo e falando.

Uma grande leva de irmãos passaram os anos resistindo ao estudo bíblico achando que podiam no seu modo pequeno de pensar fazer o que queriam. Atualmente temos visto de tudo nos púlpitos e no meio da igreja. A interpretação bíblica, exegese, hermenêutica, deixou de ser uma coisa importante e foi relegada quase que definitivamente. É tanta confusão que muitos crentes ficam a exaustão em busca do falar em "línguas estranhas" pensando que isso leva ao céu. Ficam de um lado para o outro em busca de profetada onde tem mais valor o profeta do que a profecia. O pentecostalismo por ser livre, movido por alguns líderes despreocupados, faz com que suas igrejas promovam um tipo de catarse coletiva que culmina numa choradeira fingida que não traz cura, libertação, e nenhum proveito às vidas de seus membros. E pior! Até algumas igrejas que antes eram consideradas conservadoras com alta reputação já estão se rendendo as pressões exercidas pelo mundo. Pastor mirim, batucada, danças sensuais, óleo, rosa, chave do céu, cadeado do inferno, "falaproseuirmão", bateção de palma e sapateado frenético, "eis que te digo", agora vamos chorar, agora vamos pular, sem contar o famoso bordão "receeeeeeeeebaaa!" E naaaaada de Bíblia. É comum num mesmo culto todas estas coisas acontecerem simultaneamente.

Não vamos nos estender. O que aconteceu em Atos 2 foi uma rica experiência na vida da igreja. O movimento pentecostal também pode ter sido no passado uma coisa muito boa. Mas, chamar pentecostal o que estamos vendo hoje talvez não esteja semanticamente correto. Podemos dar o nome que quisermos. Mas pentecostal não reflete a experiência vivida relatada por Lucas em Atos dos Apóstolos. Fiquemos com a as palavras de Paulo!  (1Co. 14)                                                                                                               Texto de Rogério Loureiro

Segui o amor; e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em língua não fala aos homens, mas a Deus; pois ninguém o entende; porque em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação. O que fala em língua edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja. Ora, quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis, pois quem profetiza é maior do que aquele que fala em línguas, a não ser que também intercede para que a igreja receba edificação. E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, de que vos aproveitarei, se vos não falar ou por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina? Ora, até as coisas inanimadas, que emitem som, seja flauta, seja cítara, se não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca na flauta ou na cítara? Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que falando ao ar. Há, por exemplo, tantas espécies de vozes no mundo, e nenhuma delas sem significação. Se, pois, eu não souber o sentido da voz, serei estrangeiro para aquele que fala, e o que fala será estrangeiro para mim. Assim também vós, já que estais desejosos de dons espirituais, procurai abundar neles para a edificação da igreja. Por isso, o que fala em língua, ore para que a possa interpretar. Porque se eu orar em língua, o meu espírito ora, sim, mas o meu entendimento fica infrutífero. Que fazer, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o amém sobre a tua ação de graças aquele que ocupa o lugar de indouto, visto que não sabe o que dizes? Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado. Dou graças a Deus, que falo em línguas mais do que vós todos. Todavia na igreja eu antes quero falar cinco palavras com o meu entendimento, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua. Irmãos, não sejais meninos no entendimento; na malícia, contudo, sede criancinhas, mas adultos no entendimento. Está escrito na lei: Por homens de outras línguas e por lábios de estrangeiros falarei a este povo; e nem assim me ouvirão, diz o Senhor. De modo que as línguas são um sinal, não para os crentes, mas para os incrédulos; a profecia, porém, não é sinal para os incrédulos, mas para os crentes. Se, pois, toda a igreja se reunir num mesmo lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão porventura que estais loucos? Mas, se todos profetizarem, e algum incrédulo ou indouto entrar, por todos é convencido, por todos é julgado; os segredos do seu coração se tornam manifestos; e assim, prostrando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, declarando que Deus está verdadeiramente entre vós. Que fazer, pois, irmãos? Quando vos congregais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. Se alguém falar em língua, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e cada um por sua vez, e haja um que interprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus. E falem os profetas, dois ou três, e os outros julguem. Mas se a outro, que estiver sentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, cada um por sua vez; para que todos aprendam e todos sejam consolados;  pois os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas;  porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja. Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor. Mas, se alguém ignora isto, ele é ignorado. Portanto, irmãos, procurai com zelo o profetizar, e não proibais o falar em línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.

2 comentários:

maximumforma.com disse...

Rogério passei para conhecer seu blog ele é espetacular, not°10 desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
Um grande abraço e tudo de bom
Ass:Rodrigo Rocha

Arauto de Sião disse...

Obrigado, Rodrigo! A recíproca é verdadeira. Visitei sua página e também gostei muito. Qua graça do Nosso Senhor Jesus repouse eternamente na sua vida e na da sua família. Rogério.

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